A lei de reprodução ocupa as questões 686 a 701 de O Livro dos Espíritos, quarto capítulo da parte das leis morais. É o capítulo que fala de casamento, celibato e poligamia, e por isso vale um aviso de leitura: a obra foi publicada em 1857 e reflete o debate da sua época. Este texto cita o que está escrito, com o número de cada questão, e apresenta como ensino da doutrina espírita, sem endossar nem contestar.

Reprodução como lei natural

A obra começa pelo fato: "Evidentemente. Sem a reprodução, o mundo corporal pereceria." (O Livro dos Espíritos, questão 686) Sobre o receio de excesso de população, responde que Deus "mantém sempre o equilíbrio" e que "o homem, que apenas vê um canto do quadro da Natureza, não pode julgar da harmonia do conjunto." (O Livro dos Espíritos, questão 687)

Casamento

O casamento é tratado como passo de civilização: "É um progresso na marcha da Humanidade." (O Livro dos Espíritos, questão 695) E a fundação é afetiva: "O casamento, segundo as vistas de Deus, tem que se fundar na afeição dos seres que se unem." (O Livro dos Espíritos, questão 701) Sobre a ausência de laços, a resposta é que "Seria uma regressão à vida dos animais." (O Livro dos Espíritos, questão 696)

Divórcio

Perguntada sobre a indissolubilidade, a obra a classifica assim: "É uma lei humana muito contrária à da Natureza, mas os homens podem modificar suas leis; só as da Natureza são imutáveis." (O Livro dos Espíritos, questão 697)

Celibato

Sobre quem escolhe não casar por egoísmo, a resposta é crítica: "Não, e os que assim vivem, por egoísmo, desagradam a Deus e enganam o mundo." (O Livro dos Espíritos, questão 698) A obra distingue o motivo: "Eu disse: por egoísmo. Todo sacrifício pessoal é meritório, quando feito para o bem. Quanto maior o sacrifício, tanto maior o mérito." (O Livro dos Espíritos, questão 699)

Poligamia e regulação dos nascimentos

Sobre a poligamia: "A poligamia é lei humana cuja abolição marca um progresso social." (O Livro dos Espíritos, questão 701) Sobre regular a reprodução: "Deus concedeu ao homem, sobre todos os seres vivos, um poder de que ele deve usar, sem abusar. Pode, pois, regular a reprodução, de acordo com as necessidades. Não deve opor-se-lhe sem necessidade." (O Livro dos Espíritos, questão 693)

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Fontes

Capítulo IV da Parte Terceira, questões 686 a 701.

Fotografia da capa: árvore grande num pátio, acervo próprio da Mundo a Passeio.