O sexto capítulo da parte das leis morais de O Livro dos Espíritos, questões 728 a 765, é o que enfrenta as perguntas mais duras: por que a natureza destrói, o que dizer das tragédias, da guerra, do assassínio e da pena de morte. A seguir, as respostas centrais, cada uma com a questão de origem. É a doutrina espírita explicando a si mesma; nada aqui é afirmação científica nossa.
Destruição como transformação
A abertura do capítulo: "Preciso é que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Porque, o que chamais destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos." (O Livro dos Espíritos, questão 728) A obra separa o corpo do ser pensante: "Esse invólucro é simples acessório e não a parte essencial do ser pensante." (O Livro dos Espíritos, questão 728)
Limites da destruição
"Toda destruição que excede os limites da necessidade é uma violação da Lei de Deus." (O Livro dos Espíritos, questão 735) E: "O abuso jamais constituiu direito." (O Livro dos Espíritos, questão 734)
Flagelos e tragédias
Sobre a finalidade dos flagelos: "Para fazê-la progredir mais depressa." (O Livro dos Espíritos, questão 737) A obra também atribui parte deles à conduta humana: "Muitos flagelos resultam da imprevidência do homem. À medida que adquire conhecimentos e experiência, ele os vai podendo conjurar, isto é, prevenir, se lhes sabe pesquisar as causas." (O Livro dos Espíritos, questão 741) E vê neles uma oportunidade moral: "Os flagelos são provas que dão ao homem ocasião de exercitar a sua inteligência, de demonstrar sua paciência e resignação ante a vontade de Deus." (O Livro dos Espíritos, questão 740) É uma explicação religiosa, que quem passou por uma perda real pode ou não aceitar.
Guerra
A causa apontada: "Predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e transbordamento das paixões." (O Livro dos Espíritos, questão 742) E a perspectiva: a guerra desaparecerá "quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a Lei de Deus. Nessa época, todos os povos serão irmãos." (O Livro dos Espíritos, questão 743)
Assassínio, defesa e intenção
"Grande crime, pois que aquele que tira a vida ao seu semelhante corta o fio de uma existência de expiação ou de missão." (O Livro dos Espíritos, questão 746) Sobre a intenção: "Deus é justo, julga mais pela intenção do que pelo fato." (O Livro dos Espíritos, questão 747) Sobre a defesa, a obra só admite a necessidade e exige proporção: "desde que o agredido possa preservar sua vida, sem atentar contra a de seu agressor, deve fazê-lo." (O Livro dos Espíritos, questão 748)
Duelo e pena de morte
Sobre o duelo: "Não; é um assassínio e um costume absurdo, digno dos bárbaros." (O Livro dos Espíritos, questão 757) Sobre a pena de morte: "Incontestavelmente desaparecerá e a sua supressão assinalará um progresso da Humanidade." (O Livro dos Espíritos, questão 760) O argumento: "é preciso abrir e não fechar ao criminoso a porta do arrependimento." (O Livro dos Espíritos, questão 761)
Para continuar
- Capítulo anterior: o necessário e o supérfluo.
- Visão geral: as leis morais de O Livro dos Espíritos.
- Sobre o autor: Allan Kardec: quem foi e o que escreveu.
Fontes
- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. Federação Espírita Brasileira, 93ª edição (edição histórica), 2013. Citações conferidas uma a uma, em 17/10/2026, contra o texto desta edição e contra o número da questão indicado.
- Página da obra na FEB, com a descrição das quatro partes e das 1.019 questões: https://febnet.org.br/_downloads/o-livro-dos-espiritos/ (lida em 17/10/2026).
- Texto da edição histórica da FEB em PDF (cópia hospedada fora do site da FEB): https://cdn.cursoespirita.com/wp-content/uploads/Livro-dos-Espiritos.pdf (lido em 17/10/2026).
Capítulo VI da Parte Terceira, questões 728 a 765.
Fotografia da capa: parede com retratos emoldurados, acervo próprio da Mundo a Passeio.
