Quem visita uma casa espírita ouve a palavra "prece" o tempo todo, e quem lê O Livro dos Espíritos encontra o assunto num capítulo próprio: a lei de adoração, na terceira parte da obra, das questões 649 a 673. Este texto resume esse capítulo e cita a resposta dada a cada pergunta, com o número da questão para que você confira na fonte. Descrevemos o que a doutrina espírita ensina; não é uma afirmação nossa sobre religião.

O que é adorar, segundo a obra

A definição é direta: "Na elevação do pensamento a Deus. Deste, pela adoração, aproxima o homem sua alma." (O Livro dos Espíritos, questão 649) A obra trata o sentimento como universal: "A adoração está na lei natural, pois resulta de um sentimento inato no homem. Por essa razão é que existe entre todos os povos, se bem que sob formas diferentes." (O Livro dos Espíritos, questão 652)

Culto exterior: dispensável ou não?

O capítulo coloca o peso no interior: "A adoração verdadeira é do coração." (O Livro dos Espíritos, questão 653) Sobre quem pratica ritos só por aparência, a resposta é dura: o exemplo bom só vale "se não consistir num vão simulacro". (O Livro dos Espíritos, questão 653)

Na questão 654, a obra compara o culto de cerimônia com a conduta: "Deus prefere os que o adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, aos que julgam honrá-lo com cerimônias que os não tornam melhores para com os seus semelhantes." (O Livro dos Espíritos, questão 654)

E para quem acompanha o rito de uma religião que não é a sua, só por respeito à família: "Não procede mal aquele que, assim fazendo, só tenha em vista respeitar as crenças de outrem." (O Livro dos Espíritos, questão 655) Isso explica por que visitantes de qualquer crença costumam ser bem recebidos numa casa espírita, desde que respeitem o ambiente. Se você vai visitar uma, leia antes como se comportar numa casa espírita.

Orar sozinho ou em grupo

A obra valoriza a reunião, sem desvalorizar a prece íntima: "Reunidos pela comunhão dos pensamentos e dos sentimentos, mais força têm os homens para atrair a si os bons Espíritos." (O Livro dos Espíritos, questão 656) E logo em seguida: "Não creiais, todavia, que menos valiosa seja a adoração particular, pois que cada um pode adorar a Deus pensando nele." (O Livro dos Espíritos, questão 656)

Orar muito ou orar bem

Sobre quem acha que o valor está na quantidade de preces, a resposta é: "O essencial não é orar muito, mas orar bem." (O Livro dos Espíritos, questão 660) A crítica seguinte é a quem faz da oração rotina: "Fazem da prece uma ocupação, um emprego do tempo, nunca, porém, um estudo de si mesmas." (O Livro dos Espíritos, questão 660) E a ligação com a conduta aparece na questão 661: "As boas ações são a melhor prece, por isso que os atos valem mais que as palavras." (O Livro dos Espíritos, questão 661)

O que a prece muda

A obra define a prece como ato de adoração e lhe dá três propósitos: "A três coisas podemos propor-nos por meio da prece: louvar, pedir, agradecer." (O Livro dos Espíritos, questão 659) Sobre o efeito do pedido, não promete mudar o que vai acontecer: "A prece não pode ter por efeito mudar os desígnios de Deus, mas a alma por quem se ora experimenta alívio, porque recebe assim um testemunho do interesse que inspira àquele que por ela pede" (O Livro dos Espíritos, questão 664). O alívio descrito é o de quem se sente lembrado, e é assim que o texto deve ser lido: um ensinamento religioso, não uma promessa de resultado.

Sacrifícios e guerras religiosas

Perguntada sobre o sacrifício, a obra manda para outro lugar: "O melhor meio de honrá-lo consiste em minorar os sofrimentos dos pobres e dos aflitos." (O Livro dos Espíritos, questão 673) Sobre os conflitos entre religiões: "Todas as religiões, ou, antes, todos os povos adoram um mesmo Deus, qualquer que seja o nome que lhe deem." (O Livro dos Espíritos, questão 671)

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Fontes

Capítulo II da Parte Terceira, questões 649 a 673.

Fotografia da capa: sala com cadeiras e mesa, acervo próprio da Mundo a Passeio.